22 de janeiro de 2013

Porque eu quero


   Esse é o único por que, que acho válido ser cobrado. Por que preciso sempre ter um porque pra querer algo? Não posso, de maneira simples, só querer? Desejar, às vezes, é algo que se sobrepõe à razão, se sobrepõe aos meus motivos normais. Posso, por favor, de vez em quando, querer algo que seja fora das minhas próprias regras? Fora dos meus próprios porquê's? Só querer? Sem motivo, sem mas, sem interrogações. Querer por querer. Porque sim. Porque eu quero.
   Só disso que preciso: Alguém que entenda meus caprichos. Capricho, que por definição do dicionário, é vontade súbita e infundada. Preciso de alguém que entenda capricho, assim mesmo, no literal. Não alguém que me culpe por desejar sem motivos, me culpe por querer algo fora de hora, fora de lugar. Como se houvesse uma regra que define onde, quando e porque se pode querer algo. Não alguém que trate capricho como algo-de-mulher-sem-cérebro-. Desejo é algo que não se submete à regra de passar pelo consentimento da razão. Quase sempre, vêm do coração direto à boca, traduzindo-se em palavras. Por vezes, traduzindo-se em atos. Isso não significa que não tenha cérebro, significa que o coração falou mais alto. Só.
   Preciso de alguém que corra pra rua, às 2 horas da manhã, pra comprar um pedaço de torta alemã, só porque desejei. Estando grávida ou não. Estando em período menstrual ou não. Alguém que faça coisas idiotas só pra me ver, subitamente, sorrir, enquanto chorava. Alguém que realize meus desejos, sem me perguntar o motivo da existência dos mesmos. Alguém que me deixe passar à frente na fila do mercado, sem eu ter que pedir. Alguém que me ligue só pra perguntar como estou e desligar. Alguém que dê balas junto com o troco, não no lugar dele. Alguém que entenda o que é desejar sem motivos lógicos. Dá pra ser?
   Às vezes, nos preocupamos tanto em chamar as pessoas de melhores amigos, pai, mãe, irmã, namorado e avó, que esquecemos de, realmente, valorizar quem são. Sem rótulos. Pode ser qualquer um. Uma mãe de consideração ou de verdade, tia, tio, prima, amiga, amigo, vizinho simpático ou até mesmo aquelas senhoras de idade, que dizem: “o que posso te oferecer, meu anjo, por me ajudar a carregar as compras?”. Não precisa ser alguém que me chame por apelidos carinhosos, pode ser alguém que me chame pelo nome mesmo. Se não quiser, não precisa nem me chamar. Só valorizar. Se entregar aos meus desejos, como se fosse necessário torná-los reais. Seja por generosidade retribuída, por amor, por arrependimento, por amizade ou qualquer projeto de sentimento. Só peço pra que não me encha de perguntas, de por ques e não entendo. É simples: Não tente entender.
   Se eu te amar e desejar alguém fora da sua vida ou desejar toda a sua atenção, não use a cabeça pra fazer perguntas. Use teus sentimentos recíprocos pra valorizar meu desejo, mesmo que não haja sentido. Não precisa fazer sentido. Não precisa. E se tudo isso é tão utópico, se é impossível que alguém entenda meus desejos infundados, minhas vontades súbitas, não tem problema. O impossível é uma questão de ponto de vista.
   Do meu ponto de vista, é possível. Eu me entendo. Eu entendo meus próprios caprichos. Pode ser que eu mesma levante, de madrugada, pra me comprar uma torta alemã. Por que não? Pode acontecer de eu ir comprar a torta e vir de cortesia um café acompanhado de um moreno, alto, servindo o café. E aí são os meus desejos me levando a alguém e não alguém me levando aos meus desejos. Porque não exige uma ordem certa.
A ordem certa não exige porque.

Um comentário:

Ale borges disse...

Voce me supreende em cada texto.! Te amo s2